• Grupo de Educação Multimídia

Cinema é poder!


O cinema é um meio de reivindicação. Através dele, é possível tratar de questões com muito mais sensibilidade. Temáticas consideradas polêmicas e tabus são levadas ao cinema e, não se ausentando da crítica, comunicam, em sua maioria, empaticamente com o público.

É por essa direção que caminha o Cinema é poder! Sua intenção é levar o diálogo de temas que estão no centro do debate acadêmico para fora, trabalhando em conjunto com jovens das realidades mais diversas possíveis. O projeto propõe um trabalho que promova direcionar filmes capazes de gerar uma reflexão coletiva acerca de assuntos necessários em nosso cotidiano. Os filmes da mostra têm algo em comum: não são de todo explícito, sua mensagem, para ser compreendida, deve ser lida nas entrelinhas. Assim, é comum que tenhamos subjetividades, já que a sensibilidade a partir do cinema é sentida de formas diferentes.

No âmbito do debate sobre as mulheres, temos o filme Kbela, de Yasmin Thayná e Nome de batismo – Alice, de Tila Chitunda. Kbela traz uma experiência um tanto quanto performática ao público. A diretora propõe uma desconstrução dos rótulos que a sociedade põe nas mulheres negras, focando principalmente na questão capilar, e o “desenbranquecimento” desses corpos . Já em Alice, a diretora retorna à Angola, terra dos seus familiares, em busca da origem e história do seu nome de batismo. Em ambos, mulheres assumem o papel de diretoras, contam histórias que as rodeiam e buscam o seu lugar.

Já os filmes Now! de Santiago Alvarez e Aluguel de Lincoln Péricles se assemelham por serem filmes que, para suas determinadas épocas, destoam um pouco do esperado do que é “fazer cinema”, fazem críticas à sociedade em que estão inseridos e utilizam de marcantes recursos sonoros. No primeiro, o diretor cubano utiliza uma técnica de montagem de imagens que revelam sua visão anti-imperialista, denunciando também a segregação racial estadunidense. Em Aluguel, a crítica recai sobre situações que ocorrem à pessoas periféricas que têm suas vidas dificultadas pelo trabalho árduo do dia a dia, o caminho cansativo do transporte público super-lotado e os problemas que existem em suas moradias, por serem mais afastadas do centro.

O curta “O dia em que Dorival encarou a guarda”, pertencente ao anos 80, portanto simultâneo à ditadura militar, retrata além da violência e truculência policial, o racismo e a banalidade do mal. Todo o curta é feito com uma boa pitada de humor, eufemenizando, assim, a estrutura perversa que o filme representa.

Borom Sarret e Les Maîtres Fous mergulham por dentro da estrutura sócio-políticocultural de Gana e Senegal na segunda metade do século XX. Este filme de Jean Rouch, que até hoje é um divisor de opiniões, retrata um ritual de possessão, no qual trabalhadores “encarnam” os colonizadores do seu povo. Já Borom coloca em jogo a diferença de classe presente em sua cidade. O personagem tem sua carroça tomada quando desafia as fronteiras sócio-econômicas criadas naquele lugar.

Não à toa os âmbitos sociais que a mostra abarca podem ser relacionados. Como realidades muitas vezes problemáticas, pode-se apostar na interseccionalidade, termo abordado pela socióloga contemporânea Angela Davis e explicado pelo nome do próprio livro em que é apresentado: Mulheres, Raça e Classe. Livro este que, em seu título, representa os temas que o “Cinema é Poder!” irá tratar. Logo, tratando-se de inerências sociais, o trabalho de discussão de realidades marginalizadas deve ser feito em conjunto.

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ENDEREÇO:

Espaço Cultural João Cabral de Melo Neto

Faculdade de Letras da UFRJ
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