• Grupo de Educação Multimídia

Escola de Pescadores de Macaé


Pais e filhos saíam cedo de casa, uns pelo canal de acesso ao mar, outros pelas calçadas destruídas pela ausência de ações e políticas públicas voltadas a “capital do petróleo”, como Macaé era conhecida.

A pacata cidade de quase 300 anos, movida até então pela agricultura familiar e a pesca artesanal, na década de 70, torna-se uma potência petrolífera de alta tecnologia em função da instalação de plataformas de extração de petróleo em águas profundas. A mudança passa a atrair multidões para a cidade e, com elas, emergem os problemas decorrentes do crescimento desordenado e desamparado. A procura por funções tradicionais, como a pesca, aumenta em virtude da não especialização de trabalhadores que vieram para a região em busca da promessa de emprego. A favelização e a violência no município aumentam com o adensamento populacional, ocasionando a preocupação com os jovens e crianças daquela região, cuja perspectiva de futuro se distanciava da grandiosidade das plataformas e se aproximava das ruas e barcos. Assim, a mudança na estrutura mercadológica do município causa uma demanda por políticas que amparem a população marginalizada e as integre na economia local.

O investimento em uma escola voltada para as características daquele lugar foi a solução encontrada para amenizar o problema.  A Escola Municipal de Pescadores de Macaé nasce de uma parceria da Prefeitura macaense com o Núcleo de Projetos de Extensão Interdisciplinares UFRJ-Mar. Este Núcleo é responsável por diagnosticar demandas por políticas públicas nas cidades costeiras do interior fluminense e viabilizar projetos de promoção educacional e social junto às administrações públicas. Ele integra diversas unidades da universidade em ações educativas em escolas do ciclo básico, propondo metodologias participativas com foco em experiências associadas ao mar. A Escola de Pescadores veio, diante dessa emergência, com o intuito de formar jovens de 10 a 15 anos em Construção Naval e Cultura Marítima.

A escola contava com disciplinas propedêuticas, oferecidas pela rede municipal de educação, e outras específicas oferecidas pelo UFRJ-Mar. Sua metodologia se concretizava, nas atividades específicas, a partir de projetos, como por exemplo, a construção de pequenas embarcações, os estudos da cadeia produtiva da pesca na região e elaboração de filmes sobre a vida, o trabalho e suas condições e a renda dos trabalhadores do Mar. Um exemplo desses projetos é o filme “Mar Amaro” (2007). Realizado por 60 estudantes e 10 professores da escola, este filme mostra o lugar onde habitam os pescadores e seus filhos. “Mar Amaro, a saída” é um filme que constrói uma narrativa sobre as  fronteiras de um lugar marginalizado e as limitações das pessoas ali abandonadas.

A Escola de Pescadores fechou em 2009. Ela ficava no Pontal, a ponta esquecida da capital nacional do petróleo, que foi registrada no filme Mar Amaro.

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