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Os trabalhos delas: mulheres negras diante e detrás das câmeras



Fruto das acumulações teóricas e metodológicas produzidas pela mostra e pela disciplina “Cinema e Trabalho”, a ação teve por objetivo a formação dos extensionistas inscritos no projeto. O produto do processo coletivo foi um cinedebate, realizado nos dias 19 e 21 de janeiro, que contou com a presença de convidados envolvidos com filmes que trazem diferentes perspectivas sobre os trabalhos de mulheres negras.

Numa sociedade pós-industrial, a diversificação do mercado de trabalho tornou-se uma realidade latente, especialmente com as mulheres representando cada vez mais uma porcentagem significativa, embora ainda pequena se comparada à presença masculina nesses espaços, da mão de obra. No entanto, se realizarmos um recorte dentro desse grupo e selecionarmos como alvo da nossa atenção mulheres negras, é possível enxergar uma disparidade ainda maior de oportunidades, mesmo atualmente.

Essa mostra foi criada pensando criticamente a respeito do papel que tem sido, por séculos, designado à mulher negra no trabalho e de como, paralelamente, esses papéis ainda são persistentemente reproduzidos dentro do ambiente cinematográfico. A seleção de filmes baseia-se numa tentativa de dar maior visibilidade a esse grupo como produtor e consumidor de cinema, desconstruindo estereótipos e construindo, em contrapartida, contra-narrativas que possam quebrar o silenciamento e apagamento sistemático desse grupo dentro e fora das telas.


FILMES EM DEBATE



Além de tudo, ela

Direção: Lívia Zanuni, Mickaelle Lima Souza, Pâmela Regina Kath, Pedro Vigeta Lopes Brasil, 2020, 10 min

Sinopse: Em Curitiba, durante a década de 1940, Enedina Alves Marques entrava para a Universidade Federal do Paraná, sem imaginar que, 5 anos depois, seu nome ficaria marcado na história como o da primeira mulher negra engenheira no Brasil. Filha de empregada doméstica, Enedina emergia em um ambiente universitário dominado por homens brancos, sendo obrigada a lidar com estruturas patriarcais e racistas que a negavam esse espaço.


Mona - A luta da mulher negra com deficiência no Brasil Direção: Lucca Messer

Brasil, 2018, 6 min

Sinopse: A história da primeira bailarina negra deficiente a performar no Theatro Municipal de São Paulo, após 106 anos de sua inauguração. Depois de ser diagnosticada com neuromielite óptica aos 30 anos, a trajetória da dançarina é perpassada por inúmeras adversidades encontradas na realidade de ser uma dançarina, mãe solteira, negra e cadeirante no Brasil.


Parece comigo

Direção: Coletivo “Nós, Madalenas”

Brasil, 2016, 25min

Sinopse: Um curta sobre identidade, representação e resistência, Parece Comigo dá visibilidade ao poderoso movimento de bonequeiras que, por meio da produção artesanal de bonecas negras para crianças negras, buscam reverter uma lógica sistemática que privilegia modelos inspirados na branquitude em um país de maioria negra. O trabalho dessas mulheres, retratado na obra, é um viés na luta pela igualdade racial e pela valorização do povo preto através da construção e solidificação da autoestima de mulheres negras desde a infância.




OUTROS FILMES SUGERIDOS


Amor Maldito

Direção: Adélia Sampaio

Brasil, 1984, 76 min

Sinopse: Primeiro longa brasileiro dirigido por uma mulher negra, Amor maldito conta a história da paixão entre Fernanda, uma executiva com emprego estável e vida confortável, e Sueli, mulher vinda de uma criação bastante conservadora que passa a trabalhar como miss. O romance entre as duas se inicia de forma intensa e, de igual maneira, ele termina, quando Sueli, buscando sucesso em seu futuro, casa-se com um jornalista, engravida e é abandonada por ele, acabando por cometer suicídio. A culpa da morte, no entanto, recai sobre sua antiga amada, Fernanda.



Kbela

Direção: Yasmin Tayná

Brasil, 2015, 22 min

Sinopse: Kbela narra a vivência de mulheres negras em meio à violência de um sistema que as afasta do que é socialmente tido como belo. O curta de Yasmin Thayná busca, por meio da valorização do cabelo crespo, celebrar a relação entre ancestralidade, beleza, poder e resistência. É uma tentativa artística e política de criar um cinema que seja produzido por, sobre e para mulheres negras, denunciando de maneira ácida as opressões vividas por esse grupo e construindo, com sensibilidade poética, narrativas que exaltem uma estética antirracista.


Mucamas

Direção: Coletivo “Nós, Madalenas”

Brasil, 2015, 16 min

Sinopse: As vivências do ambiente doméstico sob a perspectiva da trabalhadora negra: esse é o olhar para o qual o documentário nos atenta. Numa busca por dar voz às narrativas desse grupo, a obra denuncia problemáticas que permeiam as relações de poder entre patrões e empregadas, destacando a opressão, a segregação e o preconceito de classe advindos de uma herança escravocrata. É um convite a tornar-se ouvinte e a compreender, a partir dos fortes relatos dessas mulheres, suas ricas histórias.



A negra de…

Direção: Ousmane Sembene

Senegal, 1966, 65 min

Sinopse: Ao sair de seu país de origem, Diouana, uma jovem senegalesa, vai para a região da Costa Azul, na França, a fim de trabalhar como babá dos filhos de um casal europeu, sonhando alcançar uma vida melhor. No entanto, chegando à casa dos franceses, nota que não há nenhuma criança para ser cuidada, mas sim diversas tarefas domésticas a serem realizadas por ela. Com o passar do tempo, Diouana se vê condicionada a tornar-se a empregada da casa e é obrigada a disputar por sua liberdade, encarando a desvalorização de sua cultura, a exploração de seu serviço e o racismo.






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